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Consumo de Oxigênio (VO2)

Princípio de Fick: VO2 = Q x dif.a-vO2

O consumo de oxigênio depende do débito cardíaco e da diferença artério-venosa de oxigênio. Portanto ele depende dos sistemas cardíaco (débito), respiratório (O2 arterial) e metabólico (O2 venoso). A quantidade de oxigênio arterial é muito defícil de aumentar, pois depende do sistema respiratório, mas pode-se diminuir bastante a quantidade de oxigênio venoso pelo aumento da extração (metabolismo). Para aumentar o VO2, portanto, é necessário o aumento do metabolismo pelo treinamento da musculatura.

Com o treinamento, o consumo máximo de oxigênio pode ser maior pois o indivíduo atingirá cargas maiores. Entretanto para as cargas sub-máximas o consumo será o mesmo. O aumento do VO2 ocorre muito mais por eficiência mecânica, ou seja, menor consumo de oxigênio pelo menor gasto energético através de uma "correção técnica" do que por adaptação fisiológica.

Limiares de Lactato

A concentração de lactato [LA] depende da sua produção e metabolização. O metabolismo do lactato é aproximadamente 70% oxidativo (vias aeróbias) e 30% por outros processos como a gliconeogênese e síntese protéica. Num teste de cargas progressivas, observa-se que em cargas de intensidades muito baixas a [LA] não se altera. Isso acontece porque a produção e metabolização de lactato aumentam na mesma proporção. A partir de uma certa carga a produção começa a aumentar mais do que a metabolização e , portanto, a [LA] começa a aumentar. Esta carga determina o 1º limiar de lactato (1ºLL). A partir de uma carga mais intensa, a produção de lactato dispara e a metabolização atinge um platô. Como resultado, a [LA] também dispara. Esta carga determina o 2ºLL. A partir desta observação, podemos determinar as áreas de intensidade de esforço de um indivíduo para que possamos determinar as cargas de treinamento:

Até o 1ºLL:
Área de intensidade sub-aeróbia.
do 1ºLL até o 2ºLL:
Área de intensidade aeróbia.
a partir do 2ºLL:
Área de intensidade anaeróbia.

Treinamento com cargas na área sub-aeróbia:

O treinamento com cargas desta área não gera nenhuma adaptação fisológica.

Treinamento com cargas na área aeróbia:

O indivíduo que treinar com cargas desta área terá as seguintes adaptações fisiológicas: Dentro da área aeróbia, quanto mais baixa a intensidade do treinamento (mais próximo do 1ºLL) as adaptações serão mais metabólicas (musculares) e quanto mais alta (mais próximo do 2ºLL) as adaptações serão mais centrais (cardíacas). Por isso, para treinar um indivíduo sedentário, deve-se começar pelo treinamento aeróbio extensivo (longa duração, baixa intensidade) para ter primeiro adaptações musculares localizadas. Só então se faz o treinamento aeróbio intensivo (alta intensidade) para ter as adaptações centrais. Se a ordem de treinamento for ao contrário, o indivíduo não suportará por fadiga muscular localizada.

Treinamento com cargas na área anaeróbia:

O indivíduo que treinar com cargas desta área terá as seguintes adaptações fisiológicas:

Tanto no treinamento com cargas na área aeróbia como na anaeróbia, as curvas de [LA] se deslocarão para cargas mais altas, ou seja os limiares de lactato ocorrerão em cargas mais altas por causa dos benefícios fisiológicos citados acima.


Resposta da [LA] e VO2 ao incremento de carga

Quando se aumenta a carga de esforço de um indivíduo em exercício, o VO2 deverá aumentar para se adaptar à nova carga. Entretanto, este aumento não acontece instantâneamente e sim progressivamente até atingir o nível ideal e estabilizar. Enquanto o VO2 está aumentando ocorre o défict de O2, pois a via aeróbia não suporta o aumento de carga, ocorrendo a utilização da via aneróbia para compensar, produzindo lactato. Ocorre então um pico de lactato em função do défict de O2. Quando o VO2 estabiliza (segundo fôlego), a rota aeróbia passa a predominar novamente, mas a [LA] estabiliza num nível maior que ao da carga anterior.

Durante a recuperação, quando a carga baixa novamente, o VO2 está alto mas a necessidade de O2 agora é mais baixa. Ocorre o débito de O2. Este VO2 mais alto é utilizado para o metabolismo do lactato, neoglicogênese, baixa da temperatura e diminuição da freqüência cardíaca.


Aquecimento

Como foi visto anteriormente, o aumento da carga de trabalho, gera um défict de O2 e um pico de lactato. Quando um indivíduo sai do repouso e começa uma atividade física, isto significa um aumento de carga. Se esta atividade for uma prova de competição, este indivíduo sofrerá as conseqüências do défict e pico de lactato durante a prova. O aquecimento prévio provoca a elevação do VO2 antes do início da atividade, gerando o défict e pico de lactato antes desta. O ideal é que o indivíduo aumente o consumo de O2 até bem próximo àquele exigido pela prova, para que entre nesta o mais adpatado possível com VO2 e [LA] mais estabilizados.


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