Quando o oxigênio difunde dos pulmões para o sangue, uma pequena proporção fica em solução nos líquidos do plasma e dos glóbulos vermelhos, mas, quantidade de oxigênio sessenta vezes maior combina imediatamente com a hemoglobina dos glóbulos vermelhos, e é transportado, sob essa forma combinada, para os capilares dos tecidos. Na verdade, sem a hemoglobina, a quantidade de oxigênio que poderia ser transportada seria apenas uma pequena fração do que seria necessária para manter a vida.
Quando o sangue passa pelos capilares dos tecidos, o oxigênio se separa da hemoglobina e difunde para as células. Dessa forma, a hemoglobina atua como um carreador de oxigênio aumentando a quantidade de oxigênio que pode ser transportada desde os pulmões até os tecidos até cerca de 60 vezes mais do que poderia ser transportado apenas em solução.
Essa curva é estabelecida a partir da porcentagem de hemoglobina que está combinada ao oxigênio, para determinada pressão de oxigênio (PO2). O sangue aerado que deixa os pulmões tem, usualmente, pressão do oxigênio da ordem de 100 mmHg. Fazendo referência à curva, é visto que, nessa pressão, aproximadamente 97% da hemoglobina estão combinados com o oxigênio. Assim, cerca de 27% da hemoglobina perdem seu oxigênio para as células teciduais, nas condições normais. Então, ao retornar para os pulmões, combina-se com novo oxigênio, e o transporta, mais uma vez, para as células dos tecidos.
Quando o sangue é oxigenado até o nível arterial normal de 97% de saturação, cerca de 19 ml de oxigênio estarão fixados à hemoglobina. Então, conforme o sangue perde oxigênio para os tecidos e a saturação da hemoglobina cai a 70%, a quantidade de oxigênio que permanece fixada ao sangue ainda é da ordem de 14 ml para cada 100 ml de sangue. Por conseguinte, cada 100 ml de sangue que passam pelos tecidos, normalmente, libertam cerca de 5 ml de oxigênio para as células.
Durante o exercício intenso, essa liberação pode aumentar até 15 a 18 ml para cada 100 ml de sangue que passa pelos tecidos.
Numa pessoa normal aproximadamente um quarto da hemoglobina é usado no transporte do oxigênio para os tecidos, nas condições normais. Quando os tecidos sofrem de extrema necessidade, a PO2 nesses tecidos cai a valores muito baixos, permitindo que o oxigênio difunda do sangue capilar com maior rapidez que a usual. Como resultado, a saturação da hemoglobina no sangue capilar pode cair a 10 a 20%, em lugar dos 70% normais.
Portanto, sem qualquer aumento da quantidade de fluxo sanguíneo, a quantidade de oxigênio pode ser aumentada por mais três vezes. Se também for lembrado que o débito cardíaco pode aumentar de até cinco a sete vezes nos períodos de estresse então fica claro que a quantidade de oxigênio que pode ser transportada para os tecidos pode ser aumentada de até 15 a 20 vezes a normal, parte desse aumento correspondendo à queda do percentual de saturação da hemoglobina e parte ainda maior pelo aumento do débito cardíaco.
| Altitude (m) | Pressão Atmosférica (mmHg) | PO2 (mmHg) |
| 0 (nível do mar) | 760 | 159,2 |
| 1.000 | 674 | 141,2 |
| 2.000 | 596 | 124,9 |
| 3.000 | 526 | 110,2 |
| 4.000 | 462 | 96,9 |
| 9.000 | 231 | 48,4 |
Tempo de adaptação:
Até 2.100 m - 2 semanas; A cada 600 m a mais aumenta mais uma semana.
Perda de performance:
até 1.500 m - não há perda significativa;
a cada 1.000m a mais - perda de 10% do VO2 máx.
Aclimatização:
Após a aclimatização há o aumento do volume sanguíneo e do
número de hemácias aumentando a capacidade de transporte de
O2. Entretanto, a massa muscular e o peso corporal diminuem
devido à desidratação e supressão do apetite que provocam o
catabolismo protéico. Pela menor oferta de oxigênio, diminui
também a capacidade oxidativa.